Alex sentia-se cada vez mais nervoso, à medida que o táxi se aproximava da morada que Paola lhe tinha dado. Se por um lado jantar com uma mulher bela como ela devia ser algo que o deixava feliz, a verdade é que dentro de si subsistiam pensamentos conflituosos.
Teve de os pôr de lado quando o táxi chegou. Ele ligou-lhe e ela atendeu de imediato.
“Já cá estou.” Disse, quando o carro encostava à frente do prédio onde ela morava.
“Desço já.” Respondeu ela com aquela nota melodiosa na voz a que ele se tinha habituado nos últimos meses.
Alex saiu do táxi e aguardou-a e quando ela apareceu à porta do prédio, ficou literalmente sem respirar por um pouco tempo.
Ela vinha com um vestido azul safira, até aos pés com uma enorme abertura sobre a sua perna direita. O vestido parecia abraçar-lhe o corpo com naturalidade, pronunciando as suas magnificas formas. O cabelo que lhe caia escorrido até ao meio das costas emoldurava na perfeição o seu rosto, onde os seus olhos pareciam faiscar, quase no mesmo tom do vestido. Os saltos tornavam-lhe as pernas ainda mais longas e contribuíam para a sensação de que ela flutuava, com a fluidez do tecido a criar uma sensação de leveza. E o sorriso dela era o suficiente para iluminar a noite.
Alex abriu a porta do táxi e deu-lhe a mão, ajudando-a a entrar, dando em seguida a volta ao carro e entrando no outro lado. Ela voltou-se para ele, com um ar de gozo.
“Passa-se alguma coisa?”
“Fiquei sem palavras. Só isso.”
“A sério? Não é como se não me visses todos os dias nos últimos tempos…”
“Pois, mas nunca te tinha visto assim.”
Ela riu.
Dirigiram-se ao Row on 45 onde pediram um menu de degustação acompanhado por um Château Mont-Redon Châteauneuf-Du-Pape tinto. Enquanto começavam a comer Paola reparava que ele estava mais contido que o normal.
“Parece que hoje estas menos bem-disposto que o costume.”
Ele sorriu.
“Deixaste-me sem palavras.”
Ela soltou uma gargalhada.
“Por mais que isso seja um elogio que qualquer mulher deveria apreciar, e podes acreditar que eu o aprecio, não me parece que seja só isso.”
Ele não respondeu. Continuaram a comer e a beberricar o vinho até que ela perguntou:
“Alex, se não é indiscrição, há quanto tempo é que não tens uma saída assim…”
“Bem, assim, com este luxo todo, nunca tive, para te ser franco.”
“Não desvies a conversa.”
“Desde que vim para o Médio Oriente, há um ano e uns meses.”
“Porquê?”
“Falta de oportunidade, falta de vontade…”
Paola olhou para ele com um olhar de quem não acreditava que fosse tão simples, que deixou Alex algo desconfortável. Ela sorriu ao notar o desconforto.
“O que é que ela te fez?”
“Perdão?”
“Ela, fosse quem fosse, deve ter feito algo mesmo muito estranho…”
Alex ficou a olhar para ela, sem saber o que responder. Ela continuou:
“É que não é por nada mas estou habituada a que as pessoas com quem saio sejam mais… pró-activas.”
“E sais assim com tanta gente?”
“Não, mas saio com alguma. Deixa-me contar-te uma história. Quando sai da universidade casei-me com o meu namorado que já vinha da escola secundária. Queríamos ter a nossa casinha nos subúrbios, os dois filhos e meio… o costume. Ao fim de três anos de casamento descobri que ele gostava mais de uma colega de trabalho do que de mim. Pouco depois do divórcio surgiu a oportunidade de vir trabalhar para aqui. Como mulher é algo mais restritivo para mim, é verdade, mas como estrangeira, não sou muito importunada. Não estou numa relação com ninguém, mas… sou humana. Tenho necessidades.”
“Compreendo perfeitamente. E se não deves nada a ninguém…”
“Exacto. Mas também nunca quis ter uma relação porque não consigo confiar em ninguém a esse ponto, percebes. A traição deixou marcas.”
Alex anuiu.
“E tu?”
Alex respirou fundo, olhou para os olhos e o sorriso convidativo dela e resolveu contar a sua história de uma forma resumida, enquanto continuavam a degustar.
Quando ele acabou continuaram em silêncio por um longo tempo, com ela a reflectir acerca do que ele tinha contado.
“Então deixa-me ver se percebi bem. A tua mulher levou-te para uma festa de troca de casais sem te dizer nada, tu percebeste e disseste-lhe que não querias nada daquilo, ela não ligou e saiu com outro homem, tu saíste com outra mulher, ambos tiveram sexo nessa noite mas tu, justificadamente magoado, saíste de casa, mataste o casamento e enfiaste-te num buraco no médio oriente.”
Alex anuiu novamente.
“Ou seja, ela destruiu o casamento, destruiu a tua proximidade com a tua família, com os teus filhos que vês de vez em quando, quando eles e tu podem, com os teus amigos, com o sitio onde tinhas raízes e deixou-te com um amargo de boca tão grande que nem sequer olhaste para outra mulher até agora, é isso?”
“Quando pões isso dessa maneira, é.”
“E tu deixaste. Só porque nem sequer querias olhar para ela.”
“Porque percebi que a vida que tinha era uma mentira e queria deixar tudo para trás.”
“Ok. Mas o que é que era mentira? Era a tua relação com ela? Com os teus filhos, com os teus amigos? E porque é que achas que era uma mentira?”
“Porque se ela me amasse nunca teria feito o que fez.”
“Alex… se calhar nada foi uma mentira, já pensaste nisso?”
“Tu divorciaste-te porque o teu marido te traiu e dizes-me isso?”
“Eu divorciei-me porque ele se envolveu com ela e já fazia planos para se divorciar e continuar a vida com ela. Se fosse só pelo sexo tinha ficado fula, mas não me tinha divorciado.”
Alex olhou para ela com algum desconforto. Ela sorriu.
“Alex, sexo é uma função biológica e tem o significado que lhe quiseres dar. E a diferença é que para uma mulher, como presumo que para um homem também, sexo sem sentimento é pura diversão. Sexo sem sentimentos dispensa julgamentos, até porque não interessa o que a outra pessoa pensa. Por isso é que tantas mulheres fazem loucuras com os amantes que nunca fariam com os maridos. Porque o julgamento do marido importa. O do amante não.”
Alex continuou em silêncio.
“Mas homens como tu, homens verdadeiramente apaixonados por alguém, vêem o sexo como uma validação dos seus sentimentos e ver a mulher que prometeu ser deles dar-se a outro é um golpe terrível. Eu compreendo-te e compreendo a tua dor. Mas,…”
“Mas…?” perguntou Alex enquanto ela bebia mais um gole de vinho.
“Mas a verdade é que se calhar para ela nada daquilo tinha a ver com sentimentos, que é o que verdadeiramente interessa para ela. Ela ia experimentar uma coisa diferente, dar-te algo diferente a experimentar, e era só para ser diferente, divertido, uma pedrada no charco.”
A expressão de Alex tornou-se sombria.
“Não a estou a querer desculpar com isto. Num casamento tão longo como o vosso, e se eram próximos, ela devia saber qual seria a tua reacção. Mas pensa que estás refém de algo que se calhar não devias estar.” Ela colocou a mão na dele “Para a castigar deixaste tu de viver. Achas que fizeste bem? Não achas que está na hora de viveres outra vez?”
Alex continuou em silêncio até que ela disse:
“Sabes, nunca vi como eram as suites do St Regis…”
Um sorriso maroto apareceu no rosto de Alex que respondeu:
“Por sorte, eu sei quem te pode providenciar uma visita guiada.”
“Isso por acaso é um convite?”
“Podes acreditar que é.”
E pronto! Alguém tinha de ser o primeiro a dar o passo à frente...foi ela!
ResponderEliminarA fisioterapeuta; que ia vestida mais para matar do que para jantar.
Aquele vestido era adequado para uma Gala...e mais não digo. :)
Abraço e bom fim de semana, Gil.
Não sei se já ouviste falar naquele restaurante... Ou no St Regis Dubai... Digamos que estava de acordo com o sítio... :)
EliminarA Rapariga é Italiana... Sangue quente... ;)
Abraço e Bom FDS Janita :)