segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Um bocado a propósito de algumas conversas…




…que tenho tido acerca da educação (ou da falta dela) das pessoas, independentemente do seu extracto social, tenho pensado, de mim para mim, que essas pessoas que demonstram deficits de respeito para com os outros porque estão cheias de si próprias (quer porque resolvem partilhar os seus gostos musicais com o mundo pondo o telemóvel a tocar dentro de uma carruagem de metro, ou porque se resolvem a ouvir música em altos berros às 11 da noite, quer porque resolvem maltratar quem não lhes pode responder, como empregados de loja e caixas de supermercado…) não deveriam percorrer um caminho de introspecção e procurarem a luz dentro delas…
…deviam antes ter um encontro consigo próprias e terem de lidar com isso!

É que, convenhamos, se nos conseguirmos distanciar de nós próprios para perceber que, por vezes, mesmo de forma inadvertida somos umas bestas, talvez isso contribuísse para nos tornarmos melhores pessoas!

Claro que há situações em que devemos ser umas bestas, como por exemplo, quando um dia telefono para o IKEA a reclamar o facto de que nas peças da cama que estou a montar para a minha filha haver uma que não está certa e de perguntar o que posso fazer e responderem-me que isso se devia ao facto de terem alterado o design e de haver algumas embalagem que saíram “hibridas”, pelo que teria de levar de volta a cama toda (já meio montada) para trocar e quando eu perguntei o que fazer à minha filha de dois anos, visto que já tinha desmontado a cama de bebé dela, me responderem que ela poderia dormir no chão! Virei uma besta! Não o suficiente para fazer queixa do funcionário que me atendeu, mas lá que ele se deve ter cansado de me ouvir…

Mas na maior parte das vezes falta-nos a coragem para percebermos que estamos a ser uma besta para alguém que simplesmente está a fazer o seu trabalho! Enchemo-nos da nossa razão e prontus!

E eu tenho consciência de que, muitas vezes, não gostaria de me conhecer! Talvez por isso , quando a fervura está prestes a transbordar conte até cem e respire fundo (e ainda assim, por vezes, não é suficiente)…


Mas não sei há muita gente por aí a contar até cem…


sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Ainda acerca…


…do assunto do post anterior, posso contar outra situação interessante.
Durante bastante tempo fiz atendimento ao público no sítio onde trabalho. Entretanto, fui sendo retirado desse tipo de funções para outras igualmente necessárias, mas que não envolviam contacto directo com o público, para desgosto de muitos dos clientes habituais que já se tinham habituado ao facto de eu ser rápido e não fazer favores ou aturar “merdinhas” de ninguém, fosse quem fosse.
Ainda assim, volta e meia, quando aparecia alguma bota difícil de descalçar era habito mandarem o caso para mim e eu atendia.
Naquele dia, igual a todos os outros dias, estava eu entretido a lidar com um fluxograma de procedimentos que ocupava uma parede inteira quando o telefone toca. Era a secretária da directora lá do sítio!
-Olhe, a Srª Directora vai mandar uma pessoa para baixo, para ser atendida, mas quer que seja você a atender.
Estranhei! Não porque quisessem que eu atendesse alguém, mas por ser preciso tal cerimonial para isso, o que levou à pergunta:
-Mas há algum problema?
-Não, nenhum. Só que a Srª Directora acha melhor a pessoa ser atendida por si.
Cheirou-me a esturro!
-Mas aqui só para nós, o que é que se passa?
E foi então que a secretária se desbroncou, confidenciando-me a situação em sussurros ao telefone.
-É porque é um travesti e tá a imaginar o que é que acontece se ela ou ele ou sei lá o quê é aquilo for ai fora falar com os seus colegas?
Claro que estava e até me estava a rir por dentro, mas a verdade é que seria extremamente desagradável para ele/ela/whatever!
-Ok. Não há problema – e lá fiquei a aguardar que a criatura chegasse.
Entretanto, saio um pouco deste relato para dar algum “background” ao que se passou a seguir.
Trabalhava comigo, na altura, um dos outros raríssimos espécimes do género masculino que por aqui andam. O rapaz, mais novo um ano do que eu, o que quer dizer que naquela altura já eramos ambos os dois bem trintões, era solteiro, tal como eu era, vagamente bom rapaz, ou pelo menos bem melhor do que eu, que não era flor que se cheirasse, passava a vida a babar-se cada vez que via uma miúda gira mas…
…era virgem (e tanto quanto eu sei continua a ser… Se alguém se quiser oferecer para acabar com a miséria do rapaz, pode entrar em contacto comigo que eu dou o contacto dele – MAS ATENÇÃO: aquilo já está acumulado há tanto tempo que não ejaculará espermatozóides mas sim espermatossaurios)!
Houve uma altura em que uma colega nossa, uma boa moça, e ponho em evidência a palavra boa, lhe saltou para cima dentro de um cinema e lhe arrefinfou um xoxo, o que fez com que ele, literalmente, fugisse da sala de cinema, deixando-a estupefacta!
Desde esse dia comecei a dizer-lhe que, cá para mim, ele devia era ser gay e não se assumia. E ele costumava brincar com as bocas que eu lhe mandava chegando-se ao pé de mim e armando-se em bichona (que eu saiba não o é, mas… Não punha as minhas mãos no fogo)!
Mas voltemos à história!
Estava eu à espera da criatura quando o segurança me bate à porta da sala e escolta a criatura para a secretária à frente da minha, aproveitando para lhe tirar todas as medidas possíveis, coisa que, diga-se, não tivesse eu sido avisado que a criatura era do género masculino e teria feito exactamente o mesmo.
Aquilo aparentava ser um portento de mulher. Salto alto, meia preta de rede, vestido curto, justo, que lhe realçava a silhueta e o busto com um decote impressionante, pele cuidada de um tom moreno quase luminoso, cabelo comprido, preto-aza-de-corvo pelo fundo das costas, rosto delicado, maquilhado sem excessos, uma pose e maneiras marcadamente femininas, mas sem exageros…
…os dois únicos pormenores visíveis que não batiam certo ali (e era porque eu estava avisado, senão…) era a maçã de adão e as mãos, muito grandes para serem mãos de mulher!
Ora, tendo eu uma filosofia de vida que tem apenas dois pontos,…

-Os outros podem ser, estar ou fazer o que quiserem desde que não me chateiem
-Não me interessa se és preto, branco, azul, amarelo, tatuado, tens piercings, és gay, porque se me tratares bem eu trato-te bem e se me tratares mal eu trato-te mal

…e não tendo a criatura feito algo diferente de ser extremamente educado e cortês, estava tudo a correr muito bem.
Eis pois que entra o virgem lá do sítio, para me vir cumprimentar, e quase lhe saltaram os olhos das orbitas ao ver o magnifico pernão que estava traçado e em exibição na cadeira à minha frente e que estava agarrado a todo um conjunto aparentemente inspirador! Não querendo perder a ocasião de me envergonhar, olha para mim com um ar sacana, arma-se com a pose mais “bicha” que consegue improvisar no momento e sai-se com um:
-Ai meu querido, que saudades, dá-me cá um beijinho… - e vem direito a mim de beiças estendidas, sob o olhar atento e intrigado da criatura, ao que eu retorqui de imediato:
-Puto, hoje não estou para brincadeiras.
Mas ele não se ficaria só por isto e insiste:
-Vá lá, não sejas tímido, dá-me cá um beijinho… - tendo a minha resposta a isto sido nem mais nem menos que uma sápa na nuca que até o fez levantar os pés do chão e posto isto, saiu dali amuado e a resmungar sozinho.
Quando ele finalmente saiu olho para a criatura e esta olhava para mim de sobrolho levantado e sorriso sacana. Só pensei de mim para comigo: -MAAAAAUUUU! Mas tu num queres lá bere?
Pedi desculpa à criatura pela interrupção e acabei de a atender, despachando-a pela porta fora o mais rápido possível, não fosse haver para ali algum equívoco.
Entretanto, uma hora depois vem o amuado de volta:
-Porra pá, ainda me doi o pescoço da sápa que me deste!
-Não ouviste à primeira…
-Pois, tinhas aí a boazona…
-Pá, aquilo era um gajo!
-O QUÊ?!
-Aquilo era um gajo e tu a pores-te com paneleirices da treta!
O rapaz ficou absolutamente lívido! Mas eu aproveitei e acrescentei logo:
-Se quiseres arranjo-te o telefone dele. Ficou na ficha…

…e ele não quis…

Aqui há uns anos atrás,...



...estava eu mais um estagiário, rapaz do “Nuerte”, mais concretamente de Braga, fanático pelo Benfica e por miúdas jeitosas, parados num semáforo para peões na praça do Chile, à espera para atravessar a Almirante Reis.
Do outro lado da estrada, a querer atravessar na direcção inversa, três cavalonas, extremamente bem feitas, sandálias de salto altissimo, calças de ganga bem justas a mostrar bem os relevos do corpo, cintura fina, peito opulento e firme, bastante destapado, quase no limite do indecente, peles morenas, cabelos pretos e escorridos pelo meio das costas, e o moço, depois de lhes tirar as medidas todas acaba por se voltar para mim e pergunta:
-Fuoda-se! Já biste aquilo?
-O quê? – perguntei eu distraído.
-Aquelas boazonas! Inda num biste?
-Quais boazonas?
-Mas tu tás ceguinho? Aquelas ali, carago!
Eu olhei, encolhi os ombros.
-Pá, tou-te a estranhar! – disse ele perante o meu desinteresse.
-Porquê?
-Atôm, umas coisas daquelas e tu num dizes nada?
-Não há nada a dizer…
-Desculpa, mas no manual das gaijas bouas, aquilo são gaijas muito bouas!
-Ou seriam, se fossem gajas!
Parou tudo!
-Que é que queres dizer com isso?
-Exactamente aquilo que ouviste. Se fossem gajas eram mesmo boas cumó milho. Uma vez que não são…
-Atão se aquilo não são gaijas, o que é que chamas àquilo? – disse ele, com o pânico a instalar-se-lhe na voz.
-Bem, não sendo gajas, não sobram grandes alternativas, pois não?
-Tás-me a dizer que aquilo são gaijos?
-Tou!
Ele redobrou a atenção a observá-las, duvidando das minhas palavras, o que era absolutamente compreensível. A maior parte das mulheres que conheço eram capazes de matar para ter um corpo assim! Ficou de tal forma fixo “nelas” que, óbvio, “elas” notaram.
O semafro muda, os carros param, começamos a atravessar e, a meio da estrada cruzamo-nos com “elas”. “uma” volta-se para ele, com uma voz suave e profunda e diz-lhe, na lata, com um meloso sotaque Brasileiro:
-Gostou, foi, quirido? – e seguiras “as” três a rir à gargalhada, deixando-me também a mim a ir às lágrimas!
Chegados ao outro lado ele, ainda em choque, volta-se para mim:
-Fuoda-se! Aquilo erum gaijos! Cumu é que é possíbel?
-É para tu veres. Aqui nesta zona tens que ter cuidado, que as iludências aparudem!
Mas logo em seguida o rosto iluminou-se-lhe, sorriu e volta-se para mim com o ar mais optimista do mundo:
-Tãobém bou-te dizerê! Se os gaijos aqui sum assim, tou deserto por ber cumu são as gaijas a sério, carago!



quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Admitamos que...

...não deixa de ser irónico o facto de o mundo parar porque uma banda que já não o é, neste momento é um duo, mais concretamente o Senhor David Gilmour nos seus veneráveis 68 anos e o Senhor Nick Mason, que já conta com 70 anos, editarem um álbum!

Mais fantástico ainda é o facto de ser o álbum mais reservado na história, batendo os putos "One Direction", cujo nome se refere, certamente, à direcção que os seus álbuns terão daqui a uns anos quando as suas fãs crescerem um bocadinho - Lixo!

Este não é nem nunca será o álbum mais brilhante de Pink Floyd. Mas talvez venha a ser um dos mais relevantes, sobretudo se se confirmar que será o último álbum de Pink Floyd!

Mas não será relevante só por isso.

Numa época de comida de plástico, de facilitismos, em que o sucesso de um grupo se mede não pela sua obra mas pela quantidade de singles orelhudos que darão bons videoclips para a MTV, fazer um álbum instrumental que têm uma única canção no fim, a fechar, e que é um hino à arte de fazer música, ou por outra, um hino à própria música enquanto arte, que obriga a parar para ouvir a totalidade da obra e não apenas as suas partes dispersas é algo, no mínimo, corajoso.

Talvez seja este o canto do cisne dos Pink Floyd, apesar da vontade enorme que o Nick Mason têm de ir para a estrada e fazer tours. Não sei se o será precisamente pelo Nick Mason que já afirmou que se o David deixar de lado os Pink Floyd em definitivo se vai dedicar a fazer tours mundiais em que toca sozinho as partes de bateria do "The dark side of the moon", e que mesmo que isso não aconteça, quando morrer a inscrição na sua pedra tumular será "Não tenho bem a certeza se a banda acabou"!

Mas, como disse o próprio David, em entrevistas recentes, quem sabe se "Louder than words" não verá a luz do palco na sua próxima tournée do seu álbum a solo que sairá, eventualmente, ainda este ano!

Depois da desilusão de ter a certeza que nunca verei Led Zepplin ao vivo, Após o Robert Plant ter rasgado um contrato milionário que ia levar os Led Zepplin numa tou de 33 datas, espero vir a ter o prazer de assistir a um próximo concerto do David...

...ou, quiça, novamente a um de Pink Floyd...

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Piada estúpida sobre guitarristas

Quantos guitarristas são precisos para mudar uma lâmpada?

5

1 para mudar a lâmpada e 4 para dizer "Eu podia ter feito aquilo"

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Cada vez mais…


…acho que uma das melhores e mais uteis invenções da humanidade são os “Headphones”!
Eu adoro música! Aliás, gosto tanto de música que me dou ao trabalho não só de a ouvir, como também de a compor. Não raras as vezes, ando de um lado para o outro com melodias, pedaços de letras, arranjos de vários instrumentos dentro da minha pinha a organizarem-se e à espera de, quando são mais ou menos claros para mim, saltarem para um mundo de existência real.
Assim como eu adoro música, não tenho absolutamente nada contra as pessoas que também a adoram e gostam de ouvir. E, esclareço, não tenho absolutamente nada contra nenhum estilo musical. Mas, como toda a gente, há coisas que eu, simplesmente não gosto de ouvir…
…por exemplo, adoro música clássica, mas detesto bossa nova…
…adoro hard rock, mas não gosto de ouvir reggae se a dose exceder uma música no espaço de duas horas!
Isto não quer dizer que as músicas não sejam boas. Eu é que me reservo ao direito de gostar ou não delas, porque não tenho simplesmente de gostar de tudo!
Ontem estava no Metro. O dito empancou na estação do Intendente e por lá ficou mais de meia hora, de portas abertas. Eu estava ao pé da mesma, encostado. À minha frente um individuo de etnia Africana ouvia música pacatamente nos seus “headphones”, coisa que não preciso de fazer porque tenho um leitor de mp3 incorporado no cérebro, havia mais pessoas, como eu, com vontade de bater em alguém pelo atraso que o metro estava a ter, mas fora isso, a paz reinava naquele recanto da carruagem.
Nisto, um individuo caucasiano, farto de esperar, resolve entreter-se a ouvir música, pega no telemóvel e põe a tocar. O problema é que pôs para ele e para toda a gente que estava nas redondezas. Kizomba!
Não liguei muito, uma vez que esperava que o Metro arrancasse rapidamente, mas não se tendo isso verificado à medida que os minutos passavam, aquilo começou a parecer-me uma tortura cruel e desnecessária! Consequentemente, virei-me para o tipo e disse:
-Peço desculpa, mas a música está-me a incomodar. Não se importa de desligar, por favor?
O rapaz de etnia Africana olhou para mim com o ar de “Eh pah, isto não é normal”, coisa que não é, porque ninguém costuma chamar a atenção a ninguém por comportamentos absurdos. Já o tipo interpelado fez de conta que ninguém falou com ele! Eu olhei para o rapaz Africano com um sorriso e disse:
-Pois, pelos vistos importa-se! – e o rapaz riu-se.
Para que não sobrassem dúvidas, se é que havia algumas, chamei a atenção do tipo, tocando-lhe no braço, o que o fez olhar directamente para mim e repeti:
-Desculpe, mas a música está a incomodar-me. Pode desligar, por favor?
-Eu tenho direito a ouvir a música que quiser. Está-me a dizer que eu não posso ouvir música?
-Claro que pode, mas os “headphones” já foram inventados há uns anos.
-Se está incomodado mude de sítio. Eu estou aqui bem!
-Pois, desculpe, tem toda a razão! Obrigado pela sua demonstração de educação e civismo!
-Eu não tenho direito a ouvir o que quero?
-Claro que tem! Peço desculpa por tê-lo incomodado!
E posto isto, saquei do meu telemóvel de dentro do bolso e pus a rodar isto…


Disturbed - Down With The Sickness from Joro Pentagram on Vimeo.

…em altos berros, causando um riso sarcástico em quase toda a gente que estava por ali!

Não sei porquê, o tipo não ficou satisfeito, embora eu não o tenha incomodado mais e o tenha deixado com a sua (agora inaudível) música a tocar à sua vontade…