Como já foi afirmado exaustivamente, mas convém sempre
reforçar, os Nmistas não pensávam! Os Radicais radicalizavam esta proposição,
fazendo do não acto de não pensar uma refinada arte, aprimorada ao longo das
suas vidas. Enquanto jovens eram castigados assim que se lhes apresentava no
espírito qualquer resquício de um pensamento, e isto fazia deles adultos não
pensantes, coisa de que se orgulhavam! Aliás, o prestigio social entre os
radicais media-se exactamente pela capacidade de não pensar.
Para terem uma ideia mais ou menos concreta do que eram os
reinos, impérios e republicas radicais, aquilo era uma espécie de Rússia, mas
numa versão a esteróides!
Depois havia os Racionalistas Absolutistas que, embora não pensassem,
raciocinavam, meditavam, cogitavam…
…e a vida era mais simples para eles, um bocadinho menos
caótica…
Mas, muito antes do estabelecimento dos reinos Racionalistas
Cientologistas e das guerras que os baniram, já aqui relatadas, muito antes do
tempo a Mattatturru, filho de Matturru, o grande rei da Lupolândia, muito antes
de Uruk, o pequeno, séculos antes de Balbaaq, o asqueroso, ter pisado o mundo,
muito antes das três correntes Nmistas se terem separado, estas três correntes
equiparavam-se a classes sociais, sendo os radicais os mais numerosos, Os
absolutistas uma espécie de elite, e os cientologistas a elite da elite!
Mas isto numa época em que se acreditava que o mundo era
plano e que o Sol era uma enorme lanterna arrastada por um carro de bois no
céu, conduzido por um qualquer Deus inominável, uma vez que as crenças
religiosas desses tempos acabaram por se perder nas trevas do tempo.
Nessa altura o grande mar de Atlen ainda não tinha sido
atravessado, e consequentemente os Méricos ainda não existiam…
…ou por outra, existiam, mas estavam lá quietos na vida
deles e não se chamavam a eles próprios de Méricos.
Foi por esta altura que a Tugalândia se constituiu, bastante
contra a vontade dos reinos vizinhos que não viram aquilo com muito bons olhos,
sobretudo os Hiberes, a quem as terras pertenciam! A coisa foi tal que, séculos
depois, aquando do grande cataclismo, ainda existiam disputas territoriais
entre as duas nações!
Um dos cientologistas Tugos, Mareas, o Nauta, assim chamado
porque enjoava cada vez que punha os pés num barco, achou que se devia saber o
que estava nos limites do mundo. As lendas afirmavam que só havia dragões e
outros bichos esquisitos, mas como nunca ninguém tinha visto um dragão ou coisa
que sequer se parecesse (o mais perto era um crocodilo, mas nunca ninguém tinha
visto um a cuspir fogo, além de Benzequias, o Tretas, a quem ninguém dava
qualquer crédito, sobretudo após as sessões Nmistas de sábado à tarde) Mareas
não acreditava muito que a realidade fosse como as lendas afirmavam! Assim,
após chatear a cabeça de seu tio, Colonus, o Lavrador, assim chamado porque
tinha uma enorme quinta para as bandas de Idevê-Las que era a sua verdadeira
paixão e para onde ia cultivar batatas e couves sempre que podia, durante anos,
lá conseguiu que este lhe oferecesse um barquito e financiasse uma expedição ao
fim do mundo!
Ora, como sabemos hoje em dia, o mundo é redondo, pelo que
nunca conseguiram cumprir o objectivo, mas após terem descoberto uma catrefada de
ilhas que ninguém sabia que existiam, fazendo da expedição um sucesso, outras
vieram, alargando o mundo consideravelmente, até que chegaram a um sítio por
demais interessante! Quando chegaram apenas viram florestas a perder de vista e
resolveram chamar de Arabutã ao local! Só mais tarde descobriram que aquilo
afinal tinha lá gente, que eram vermelhos, e ficaram cheios de inveja porque os
homens de lá não precisavam de fazer a barba!
Rapidamente estes povos vermelhos aderiram ao Nmismo.
Bastou-lhes provar o produto da destilação da cevada em recipientes de sílica
fundida (a nomenclatura de “caneca” só foi inventada mais tarde), uma vez que
mesmo antes de lá chegar o Nmismo eles já não pensavam…
Mas que epopeia... Isto dá um filme, não? :)
ResponderEliminarSe olhares para isto desde o começo, e já lá vão uns quantos posts, percebes que cada pequena história é um resumo de uma época de uma civilização que existiu antes da história, antes do grande cataclismo.
EliminarCada história destas dava para encher, e encher, e fazer romances inteiros...
...só a história do Balbaaq, o Asqueroso, ou do Grande Olho na Muralha...
Ou até mesmo a história de cidade de Misândria, que daria um autentico BlockBuster à Americana!
Isto já não falando nas histórias dos campeonatos de arremesso de anão, que se tornou o desporto mais popular da civilização Nmista (e que ressurgiu há uns anos), do qual, após eu falar aqui, curiosamente, apareceu em artigos de revistas e reportagens televisivas, naquilo que eu considero uma coincidência brutal...
:)