Este não é um livro sobre uma banda.
Até porque eles nunca foram suficientemente organizados para merecer essa designação.
Não é um livro sobre rock.
Embora contenha guitarras, amplificadores, concertos, ensaios, demasiada cerveja e cabos suficientes para alguém tropeçar durante várias vidas.
Não é um livro sobre Portugal.
Mas é profundamente português.
Está nos cafés onde ninguém vai apenas beber café, nas minis que aparecem quando alguém pede água, nas estradas queimadas pelo sol, nas concentrações motards, nas carrinhas que continuam a andar muito depois de a mecânica ter desistido e naquela capacidade tão nossa de transformar cada pequeno desastre numa história que ficará melhor de cada vez que for contada.
Não é um livro sobre amizade.
Embora seis homens perfeitamente banais acabem por descobrir que, por vezes, a família que escolhemos aparece disfarçada de banda de rock.
Não é um livro sobre amor.
Embora fale do que acontece quando deixamos de reconhecer a pessoa ao nosso lado — e do momento em que começamos finalmente a reconhecer-nos a nós próprios.
Não é uma comédia.
Embora seja bastante difícil contar a vida destes homens sem nos rirmos dela.
Também não é uma tragédia.
Apesar de a vida raramente pedir autorização antes de mudar tudo.
Acima de tudo, este não é um livro sobre pessoas extraordinárias.
É sobre pessoas vulgares, num país pequeno, a viver vidas aparentemente insignificantes...
...que, sem darem por isso, se tornaram inesquecíveis.

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