Tou a comer o melhor bolo de chocolate do mundo, quiçá do sistema Solar, quase de certeza o melhor da galáxia e talvez mesmo do Universo!
Estranhamente, foi feito em Campo-de-Ourique...
Agora vou ali espancar brutalmente o tipo que o trouxe, porque quer guardar segredo de onde comprou esta maravilha culinária e já venho...
Não há aqui absolutamente nada que valha a pena. Nem sequer o autor. O Autor desresponsabiliza-se por quaisquer danos psíquicos que a leitura disto possa causar.
quinta-feira, 5 de maio de 2016
O primeiro (e único) império Nmista (continuação)
Um Império precisava de uma coisa fundamental: um Imperador!
Entre as muitas discussões ao mais alto nível, houve um acordo entre as nações de manter os congressos nacionais e as fronteiras, devido a algumas animosidades regionais que existiam desde os tempos em que aqueles povos eram Bárbaros e Selvagens, e que persistiam ainda. Mas achou-se conveniente criar um congresso único, que era eleito.
No entanto, como a figura do imperador retiraria todo o poder simbólico aos Reis, estes conseguiram convencer os respectivos congressos de que deveriam ser eles, por acordo, a eleger o Imperador.
E foi daqui que advieram os problemas. Se os Reis eram figuras simbólicas, os Imperadores tomaram as rédeas do poder executivo, trazendo para o seu lado responsáveis pelas diversas áreas dentro do império. E tudo corria bem, até que se deu a crise do tremoço.
Após a vitoria de Exudax sobre a Vinlândia, os Selvagens trataram de substituir a cultura de cevada pela de tremoço o que provocou uma baixa de preços sem precedentes e lançou Faboideae numa crise nunca antes vista. Esta queda económica arrastou também os outros reinos que tiveram de sustentar Faboideae durante a crise. O Imperador naquela altura, Vigarus, O Escroque, junto com a sua equipa executiva, teve de tomar medidas impopulares que, de alguma maneira, não afectavam a realeza, que continuava a levar a vida de sempre como se não se passasse nada.
O povo começou a falar e a perguntar qual a legitimidade que Vigarus, o Escroque, tinha para tomar tais medidas, uma vez que não tinha sido eleito. Pior, porque é que as famílias Reais não eram afectadas, havendo alguns que afirmavam que isso se devia ao facto de o Imperador ser escolhido pelos Reis.
Mas pior que isso foi Vigarus, o Escroque, chamar a si o poder de vetar todas as leis que tivessem impacto económico que fossem aprovadas nos congressos regionais, retirando assim todo o poder de decisão a estes últimos, instaurando assim a primeira ditadura não assumida da história.
Muitas vozes se levantaram contra esta situação que, ao fim de alguns anos, já era Imperador Atados, o Coitado, levou a uma revolta popular e a uma guerra que acabou com o Império e fez com que os diversos povos vivessem em permanente ódio durante séculos.
Foi por isto que nunca mais ninguém se lembrou de criar um Império Nmista.
Outros o tentaram mais tarde, alguns mesmo pela força, mas foram situações que, tal como esta, nunca se sustentaram no tempo.
Felizmente, hoje em dia isto não passaria, obviamente, pela cabeça a ninguém…
O primeiro (e único) império Nmista
Outro dos reinos era Arearis, também famoso pela magnífica qualidade dos recipientes de sílica fundida, sendo os seus artesão famosos no mundo inteiro.
Havia ainda o reino de Messe, no qual se cultivavam antigas estirpes de cevada que tinham um gosto incomum e do qual se obtinha o produto da fermentação da cevada mais famoso e disputado de sempre.
Embora estes três reinos exportassem boa parte da sua produção para todo o mundo conhecido, onde estes produtos eram pagos a peso de ouro, a verdade é que a maior parte do comércio que faziam era entre si, por uma mera questão de proximidade, visto que tudo o que mandavam vir do outro lado do grande mar era dispendioso. Assim sendo, só alguns produtos essenciais, como o Lúpulo da Luplândia, ou alguns produtos de luxo, como as baterias de Bagdad, eram importados.
No entanto, à medida que os séculos foram passando, as distâncias foram ficando mais curtas, fruto da evolução dos meios de transporte. Além disso, reinos Bárbaros como a Vinlândia, ou Selvagens, como Exudax, produziam produtos de qualidade inferior, mas a preços que arrasavam as suas exportações.
Foi neste clima que Arturus, o Marreco, Rei de Faboideae, Vulpes, a Raposa, Rainha de Arearis e Céliaco, o Gasoso, Rei de Messe se reuniram, mandatados pelos respectivos congressos, para tentar encontrar uma solução para aquilo que se adivinhava ser uma catástrofe económica a médio-longo prazo.
Apesar do encontro inicial ter dado sinais positivos, houve anos de complexas negociações. Começaram por estabelecer uma área de comercio livre entre todos para tentar combater a concorrência de produtos que se fabricavam localmente mas que chegavam do outro lado do mar muito mais baratos.
A coisa aparentemente deu algum resultado pelo que resolveram evoluir ainda mais a coisa. E tanta foi a evolução que culminaram num Império, o primeiro Império Nmista que se auto-intitulou de Império Atlenico!
O povo rejubilou e tudo parecia ir bem…
quarta-feira, 4 de maio de 2016
Os Mosaícos e o Nmismo (continuação)
Se estes já não viam com muito bons olhos terem de ser subservientes a Shamash, verem os seus territórios ocupados por um bando de pastores Nmistas convertidos foi uma afronta terrível. No entanto, estando a Vinlândia sem exército desde que o mesmo tinha sido derrota-do pelos exércitos Nmistas de Shimiu, o Parvo, lá encolheram os ombros.
Mas foi então que os Mosaícos se começaram a apoderar de terras que pertenciam a clãs antigos para fazer pastos para as ovelhas, escorraçando os proprietários. Isto criou uma revolta cada vez maior nos Vinlandeses que acabaram por se voltar para os poucos combatentes que ainda existiam, refugiados nas montanhas, tentando ajudá-los como podiam! Esses guerreiros começaram assim a lutar em campanhas curtas contra pequenas povoações Mosaícas, arrasando-as e dispersando o gado.
Claro que os Mosaícos começaram a acusar estes guerreiros de fazer uma guerra suja.
Ainda assim, tudo aquilo não passava de pequenas escaramuças quase sem importância. E tudo ficou assim durante algum tempo…
…até que os Mosaícos começaram a querer reclamar também terras de Exudax que, tal como as da Vinlândia, diziam ser de onde ti-nham vindo os seus antepassados.
Ora, os Selvagens de Exudax, fruto do contrabando de tremoços para Shamash, tinham bastante poderio económico e bélico. Quando os primeiros ataques Mosaícos as terras de Exudax começaram, os Selvagens fizeram pactos com os Bárbaros rebeldes e estalou uma guerra aberta.
Os Mosaícos, vendo-se entalados entre o deserto de Shamar e as terras selvagens de Exudax, em desvantagem numérica e em relação aos exércitos de Exudax comandados por Osiah, o Bárbaro rebelde Vinlandês, profundo conhecedor da sua nação, pedem ajuda às nações Nmistas, implorando-lhes que pensassem bem no que significava ter mais aquela parte do mundo como terras Nmistas.
Foi aqui que tudo acabou por dar para o torto.
Em primeiro lugar, o Nmismo, desde as suas origens, nunca se tinha imposto pela força.
Em segundo lugar os Mosaícos foram dados como proscritos do Nmismo. Como sabemos, pensar era a única coisa que não era permitida.
Ainda assim, os Mosaícos resistiram durante anos às investidas dos exércitos de Exudax cada vez mais engrossados por rebeldes Vinlandeses. Mas por fim acabaram por ser derrotados, sendo dispersados e expulsos daquelas terras, mas juraram que haviam de voltar e que as terras dos seus antepassados haviam de ser suas.
Infelizmente, não se sabe, até hoje, o destino que levaram os Mosaícos, pelo que não seria de espantar que eles, ao fim destes milénios, ainda por aí andem à espera de uma oportunidade...
Os Mosaícos e o Nmismo
Vejamos alguns exemplos:
-Os deuses clássicos, da Grécia e de Roma (que são os mesmo rebaptizados – aparentemente os Romanos não tinham grande imaginação) eram uns bêbados putanheiros sanguinários e as Deusas eram umas intriguistas, cabras umas para as outras e umas putas serigaitas que fariam corar uma prostituta de hoje em dia, e aquilo era encarado de forma natural, uma vez que os homens da altura eram uns bêbados putanheiros sanguinários e as mulheres eram intriguistas, cabras e putas, justificando a sua maneira de ser com um “se os Deuses e as Deusas fazem assim…”
-Já outros causam problemas bem mais subtis mas igualmente válidos, como por exemplo, e como muito bem apontou Cavanna em “As Sagradas Escrituras”, Deus não pode ser ao mesmo tempo eterno e omnipotente, uma vez que para ser omnipotente tem que deixar de ser eterno, uma vez que pode por fim a si próprio, mas se for eterno deixa de poder por um fim a si próprio deixando de ser omnipotente! Mas ainda bem que existe a contradição e a fé que faz tanta gente relevar estes pequenos problemas idiotas. Graças a Deus!
Mas, como podemos observar, o Nmismo não entrava em confronto com qualquer das religiões que havia na altura, algumas delas bem esquisitas, como por exemplo na cidade de Perempto onde adoravam um ramo de árvore petrificada de onde os habitantes acreditavam tinha nascido o universo, ou a estranha crença do reino de Doblez em que todos acreditavam que o Universo é uma mera ilusão e não existia na realidade, sendo toda a existência o produto de um sonho de uma baleia azul, de cujo ventre teria nascido o Universo, se bem que também havia um povo bem lá para sul, cujo nome se perdeu na história, que acreditava que os ornitorrincos eram avatares!
Já nos reinos e cidades Radicais não havia cultos – os poucos locais de culto eram construídos e mantidos por estrangeiros – visto que eles não pensavam…
Havia um povo, bárbaros convertidos, que se auto-intitulavam de Mosaíco. Os Mosaícos acreditavam que eram filhos de Pubo, o grande fermentador, que tinha criado o Universo a partir da fermentação. Este povo era composto por tribos nómadas que se dedicavam sobretudo à pastorícia e eram conhecidos pelo queijo picante e com um cheiro nauseabundo que produziam, cujo sabor era algo de fenomenal. Embora fossem originalmente Bárbaros fermentadores de mosto, converteram-se ao Nmismo e quiseram ter direito a criar uma nação. Aquilo pareceu algo lógico ao mundo Nmista, mas havia a questão de onde os encaixar.
Balbaaq, o Asqueroso, que se dizia ser descendente destes Bárbaros convertidos, viu nisto uma oportunidade e convenceu Shimiu, o Parvo, a dar-lhes as terras da Vinlândia, coisa que não caiu bem aos Vinlandeses Bárbaros que já lá estavam, com o argumento de que eles iriam Nmizar a Vinlândia e que, além disso, no fundo até eram o mesmo povo visto que várias das tribos Mosaícas tinham vindo originalmente daquela região, coisa era impossível de confirmar ou desmentir, visto que os registos históricos dos Bárbaros e dos Selvagens eram inexistentes. Apenas havia uma tradição oral que se perdia na noite dos tempos que o afirmava.
E foi desta maneira que a Vinlândia se tornou um reino Nmista, mas foi então que as coisas começaram a dar para o torto…
terça-feira, 3 de maio de 2016
As dualidades das Bolas de Berlim - uma perspectiva Nmista
A Bola era um bolo profundamente Nmista! Era nem mais nem menos que uma bola de massa frita em azeite ou óleo polvilhada com açúcar. A sua simplicidade tão grande e a sua versatilidade tão vasta, podendo ser comida em quase qualquer ocasião, fez com que se tornasse um bolo imensamente popular.
Qualquer Nmista, em qualquer parte do mundo, poderia pedir uma Bola, e sabia exactamente o que lhe seria servido. Embora os sabores variassem ligeiramente de região para região, devido às características da própria farinha, as variações eram diminutas, sendo o bolo o único verdadeiramente uniforme no mundo inteiro.
Pomax, o Orbe, tornou-se um nome de trazer por casa, em boa parte graças à Bola, e os seus pergaminhos de receitas eram vendidos nas feiras e mercados por todo o lado. É dito que Pomax inventou muitas outras coisas, como os Peixinhos-da-horta, os panados e até o gelado frito, tão famoso ainda hoje em dia nos restaurantes de comida chinesa!
A receita da bola colocou no mapa a cidade de Óbesia, junto ao rio Bagos, que até ai era apenas comentada por ter a menor esperança de vida de todo o mundo Nmista, embora nunca ninguém à altura tenha percebido o porquê!
A Bola ganhou tal fama que a receita acabou por passar para os povos bárbaros e selvagens, o que foi uma sorte, pois sobreviveu ao longo de milhares de anos, vindo a reaparecer há alguns seculos atrás na cidade de Berlim. No entanto foi precisamente aqui que começou a dualidade das Bolas de Berlim.
Sendo um bolo Nmista, qualquer adepto poderia entrar numa pastelaria e pedir uma Bola. Toda a gente sabia o que era e a questão estava arrumada. No entanto, os Alemães, descendentes de povos selvagens, receberam a receita já com algumas alterações, como o hábito de rechear as bolas com geleias de frutos vermelhos. Isto só por si não seria significativo, não houvesse um povo, o Luso, que quando teve as Bolas na mão, tratou de alterar ainda mais a receita original. Ora isto, aos radicais causava problemas. Vejamos o exemplo abaixo:
Um Nmista entra numa pastelaria e afirma:
-Eu quero uma Bola.
-Uma bola?
-De Berlim!
-Com creme ou sem creme?
E pronto, para um Nmista Radical levantava-se logo a impossibilidade de responder, visto que para isso teria de pensar! O resultado, normalmente, era saírem das pastelarias com graves conflitos interiores e com fome, o que levou a muitos suicídios inexplicados…
No entanto, este problema não seria intransponível para um Absolutista, que poderia raciocinar um pouco, ou até meditar e responder:
-Com creme.
-De creme de ovo? Creme de pasteleiro? Creme de chocolate? Creme de avelãs? Doce de leite? Doce de maracujá?
E poderia continuar aqui a dar exemplos de recheios, uma lista quase tão extensa quanto a variedade imensa da doçaria Portuguesa. Isto levaria inexoravelmente a uma meditação profunda, para chegar a uma decisão, o que, embora estivesse dentro dos cânones Nmistas, era chato!
Ainda assim, mesmo que o Nmista se sentisse inclinado para tal meditação e respondesse:
-Com creme de ovo. (por exemplo; não afirmo aqui que este recheio seja melhor que todos os outros, embora de facto o seja)
Levaria de imediato com a pergunta:
-Redonda ou comprida?
O que implicaria mais uma decisão e mais alguns momentos de meditação profunda!
Esta dualidade é exemplificativa dos problemas que assaltam o Nmismo nos dias de hoje, razão pela qual há apenas dois Nmistas no mundo, sendo que o Nmista Radical não come bolas de Berlim! Aliás, a própria menção às mesmas fá-lo contorcer-se e fechar-se numa posição fetal enquanto récita repetitiva e continuamente o mandamento único, “Não Pensarás!”.
Já o único Nmista Absolutista ainda vivo, depois de muito meditar nesta problemática, resolveu a questão de uma maneira simples: pede sempre uma Bola de Berlim redonda com creme de ovo…
segunda-feira, 2 de maio de 2016
Ainda não sei...
...se é hoje que vos dou a conhecer as dualidades das bolas de Berlim...
É que é um tema complicado, bem demonstrativo das dificuldades que um Nmista teve, tem e terá no mundo!
Talvez seja mesmo o texto que vos poderá (ou não) converter em potenciais Nmistas!
Se bem que ninguém se torna Nmista! Ou se nasce Nmista ou não! Quanto muito, pode-se obter a consciência de que se é Nmista mais tarde na vida, mas ninguém pode sê-lo se já não o for!
É se calhar por isto, porque o Nmismo se interliga de forma profunda com a condição humana, que apesar dos milénios passados, o Nmismo continua a existir.
Atrever-me-ia quase a dizer que nunca o Nmismo esteve tão presente na vida da humanidade, embora de forma tão oculta!
Se calhar, todos vós sois Nmistas sem se darem sequer conta disso...
É que é um tema complicado, bem demonstrativo das dificuldades que um Nmista teve, tem e terá no mundo!
Talvez seja mesmo o texto que vos poderá (ou não) converter em potenciais Nmistas!
Se bem que ninguém se torna Nmista! Ou se nasce Nmista ou não! Quanto muito, pode-se obter a consciência de que se é Nmista mais tarde na vida, mas ninguém pode sê-lo se já não o for!
É se calhar por isto, porque o Nmismo se interliga de forma profunda com a condição humana, que apesar dos milénios passados, o Nmismo continua a existir.
Atrever-me-ia quase a dizer que nunca o Nmismo esteve tão presente na vida da humanidade, embora de forma tão oculta!
Se calhar, todos vós sois Nmistas sem se darem sequer conta disso...
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